As aventuras e desaventuras de Tintim
Tintim, um dos mais famosos e importantes personagens de HQ do século passado, tem no seu portifólio, além de mais de 200 milhões de cópias vendidas, em 50 linguas diferentes, um Museu só dele na Bélgica. A excepcional obra de Hergé, pseudônimo de Georges Remi, além de conquistar cada dia mais tintinófilos espalhados por toda a Europa, aguçou até a curiosidade de Steven Spielberg que com Peter Jackson está lançando em janiero de 2011 o primeiro filme da trilogia, com animação 3D.
Tintim, um jovem repórter católico com gosto pela aventura, e luta pelo bem em todo o mundo,estreou no jornal belga Le Vingtième Siècle (O Século Vinte), em 12 de Janeiro de 1929 . Seguido para todo o lado pelo seu cãozinho branco Milu, faz uso de toda a sua inteligência para sobreviver às aventuras em que se mete e leva seu público a todos os cantos do mundo. Com apenas 23 álbuns e um que restou inacabado, conquistou fama mundial.
Aventura: Tintim é enviado ao congo, a grande colônia Belga da época. Uma série de peripécias o levam ao reino de Babaorom, ele torna-se o feiticeiro renomado,
confronta um bando de gangsters do Al Capone, que quer controlar a produção de diamantes. Lógico que ele consegue os deter e deixa o país pouco depois.
Congo? - Em 1930, o Congo era um Eldorado para a Bélgica, oitenta vezes maior que o pais que o colonizava, tinha um subsolo extremamente rico. Nessa época, faltava mão de obra. Hergé devia fazer uma propaganda deste país.
Desaventura - A historia inicialmente foi publicada entre junho de 1930 a junho de 1031, no Le Vingtiéme Siecle, depois como álbum preto e branco. No álbum de 1946, Hergé redesenhou quase toda a aventura, agora colorida. Reduz, e altera a ideologia colonialista, assim a lição de geografia e história , em que tintin falava “Vossa patria, a Bélgica”, foi substituída por uma lição de matemática. Hergé afirmou que qdo escreveu Tintin no Congo e Tintim no país dos Sovietes, ele vivia num meio burguês, cheio de preconceitos e estereótipos da visão pelos europeus daquela época. Conhecia apenas o que as pessoas contavam. Nesse álbum, os Congolês tem uma pronúncia errada, enquanto os elefantes conversam entre si corretamente. O ajudante de tintin, negro, é visto como «estúpido, lerdo e sem qualidades, faz crer que os negros são subdesenvolvidos». Tintin também matava antílopes, e fez um buraco nas costas de um rinoceronte, preenchendo-o com dinamite e explodindo-o (A associação dinamarquesa de defesa dos animais obrigou a retirada dessa parte).
”Tintin no Congo” foi acusado, em julho de 2007, pela comissão Britanica para Igualdade de Raças, de conter propósitos racistas. Na frança, grupos anti-racismo incluíram um aviso, assim como as edições britânicas – “certos estereótipos da época podem chocar os leitores de hoje”. Um congolês, Bienvenu Mbutu Mondond, tenta proibir a venda desse álbum na Bélgica desde 2007, (apesar de ter conseguido até agora somente aumentar a venda dos mesmos). O alto conselho turco para o audio visual multou em 50 mil libras a rede de televisao turca TV8 por causa de Haddock, companheiro de TINTIM aparecer num dos capitulos fumando charuto. A lei turca proibe o uso de tabaco em locais publicos e a imagem de fumantes , apesar de o pais ser o 10 maior produtor de tabaco mundial . ”Os Charutos do Faraó” e “Tintim na América” também foram redesenhados antes de serem coloridos.
Hergé escreveu e desenhou “Tintin au Congo” quando tinha 23 anos e defendeu até à sua morte, em 1983, que a obra refletia a visão inocente e ingênua que caracterizava o pensamento católico e burguês da época.
Se desculpa pelos pecados da juventude e defendeu que a obra fosse lida “em seu contexto histórico”. Em edições posteriores ele fez algumas modificações, entre elas, passou a denominar Congo ao invés de Congo Belga. No entanto, o Congo, que se manteve uma colônia belga até 1960 – quando passou a República Democrática do Congo e, entre 1971 e 1997, a Zaire –, tem uma das histórias mais violentas da presença europeia em África.
Livros - Em todo Reino Unido, França, Suécia e Estados Unidos há anos os Livros de Tintim passaram das prateleiras infantis para a de adultos, e pensam em tirá-lo do mercado. Há 3 anos no Reino Unido o livro “Tintin au Congo” é obrigado a ter um selo na capa com os dizeres que ” parte do conteúdo pode ser ofensivo”. Desde então, esse livro que figurava entre os 4 mil pela Amazon, passou ao 5. lugar dos mais vendidos.
Processo - Dependendo do resultado do processo civil que começa hoje (30/09/2011) em Bruxelas, de Bienvenu Mondond contra “Tintin no Congo”, que pediu a retirada dos livros no mercado por supostos conteúdos racistas, pode abrir um precedente sem igual, e levar muitos processos parecidos a julgamento, o que equivale a que alguém faça o mesmo pedido contra Dickens, pelo seu conteúdo de elementos anti-semitas, contra Mark Twain, contra a Biblia………
O museu - Começou a ser idealizado há mais de 30 anos, está situado na pequena
cidade de Louvain-La-Neuve, 30 km de Bruxelas. O arquiteto francês Christian de Portzamparc, foi inspirado na forma de um navio, meio de transporte que possui uma presença marcante nas HQs de Tintin: a estrutura com enormes janelas possui em seu interior quatro prédios multicoloridos interligados por passarelas e elevadores que abrigam as 8 salas-tema que compõem a exposição. Esse é o único Museu da Europa dedicado exclusivamente à obra de apenas um autor de HQ, Hergé!
Espaço Tintin - Casa própria oficial em Lisboa, com direito a café-Iounge e loja, onde habita, a galeria de inesquecíveis personagens que o acompanharam em tanta aventura: do espevitado cão Milou ao irascível capitão Haddock, do distraído
professor Tournesol (ou Girassol) aos impagáveis Dupond e Dupont, da diva Castafiore ao mui luso comerciante Oliveira da Figueira.
O Espaço Tintin ofereceu a Avenida Roma um novo brilho, entre sofás e mesa de inspiração marroquina, litografias de pranchas originais de Herge, e , obviamente, cervejas belgas. No underground, decoração alusiva ao álbum, O Lótus Azul. Expõe itens e “memorabilia” de todo o género, para fãs e colecionadores, incluindo a colecção de vestuário com a marca oficial, e tudo que se possa imaginar de souvenirs, teatro de fantoches, exemplares do foguetão com que o herói foi à Lua, miniaturas de belos exemplares de carros antigos: o carro de corrida d’ Os Charutos do Faraó, clássicos Ford, Jaguar ou Land Rovers, limusinas, táxis, etc..
Peça de teatro na Índia – O diretor Akarsh Khurana levou aos palcos um espetáculo baseado nos álbuns As Sete Bolas de Cristal e O Templo do Sol, com 40 personagens em cena com muita ação, comédia e aventura.
Leilão –Banque Dessinée – em Bruxelas, um conjunto de 10 litografias de Hergé foi arrematado por 31.200 euros (mais de 75 mil reais). – Uma edição de 1930 de tintin no País dos Sovietes ,
exemplar preto e branco, (foto ao lado) foi vendida por 28.800 euros, em Bruxelas por Arnaud de Partz.
Curiosidades - Entre os planetas Marte e Jupiter, há o planeta Hergé, nome dado pela pela Sociedade Belga de Astronomia, ma comemoraçào do seu 65. aniversário. Hergé, no album O Templo do Sol, passado no Peru, imortalizou as lhamas como criaturas silenciosas e sérias que cospem quando se aborrecem, a vítima, no caso, o capitão Hadoock. Nos anos 80 Roman Polanski quis filmar O Cetro de Ottokar, por gostar muito do ambiente balcânico da história, mas o projeto não deu certo.
O FILME
“Le Monde” - Spielberg se sente mais próximo de Milu, o célebre fox terrier, que do seu ainda mais célebre dono. Tudo humildade e espírito trabalhador: “Eu não tenho a tenacidade de Tintin. Como tenho uma família numerosa e um estúdio para gerir, não consigo me concentrar numa só coisa”.Spielberg só conheceu Tintin em 1981, com “Os Salteadores da Arca Perdida”. Entusiasmado com a descoberta, contactou Hergé para preparar um filme que, afinal, só se concretizará 30 anos depois. Spielberg imaginava tintin como “Indiana Jones para miúdos”.
No início de 1983, Spielberg manteve uma entrevista telefonica com Hergé e a sua mulher, Fanny. O encontro marcado para semanas depois em Bruxelas nunca chegou a acontecer, com a morte de Hergé a 3 de Março (75 anos).
Com a tecnologia para concretizar o que idealizou enfim disponível, Spielberg voltou a comprar os direitos para a adaptação em 2002 – o filme recorrerá ao “motion capture”, a técnica utilizada em “Beowulf”, “O Expresso Polar” ou no “Um Conto de Natal”, partindo de figuras reais cujos movimentos são identificados e digitalizados, daí resultando a base para o trabalho de animação de que nascerá a visão que chegará ao grande ecrã.
Associado a Peter Jackson, que co-produz os efeitos especiais através da sua empresa, a Weta Digital, concretizou finalmente o seu projeto, e ja finalizou as filmagens das aventuras de Tintim, mas agora já sem referências a Indiana Jones, que estréia em janeiro de 2012 – As aventuras de Tintim (que iniciamente iria se chamar O Segredo do Licorne)
Dessa forma será possível “honrar a arte de Hergé, as suas tonalidades, as suas personagens”. Spielberg quer que os filmes, co-produzidos pela Paramount e pela Sony, sejam visualmente o mais possível semelhantes ao estilo gráfico de Hergé, dos personagens aos cenários.O argumento cruza na verdade três álbuns de Hergé: O Crarangueijo das Tenazes de Ouro,
O Segredo do Licorne e O Tesouro de Rackham, O Terrível. Com Jamie Bell, no papel de Tintin, o James Bond Daniel Craig a vestir a pele de Rackham o Terrível, e Andy Serkis, o Gollum de “O Senhor dos Anéis”, a ganhar barba e talento no praguejar enquanto Capitão Haddock e Simon Pegg e Nick Frost como Dupont e Dupond.
Em função do sucesso que o filme venha eventualmente a obter haverá a hipótese da criação de duas sequencias. A primeira, a realizar por Peter Jackson, seria baseada nos livros As Sete Bolas de Cristal e O Templo do Sol. A segunda contaria com assinatura conjunta de Spielberg e Jackson (que, para já, produz este primeiro filme). James Cameron está em negociação para comandar o terceiro filme da franquia.
Foi em 1984, pouco depois da morte de Hergé, um ano antes, que Spielberg comprou
os direitos para cinema dos álbuns de Tintim, com a ideia de entregar a realização do primeiro filme a François Truffaut (que morreria também, pouco meses depois) e dar os papéis de Tintim a Henry Thomas (!), o miúdo de E.T.-O Extraterrestre, e do capitão Haddock a Jack Nicholson.
A Moulinsart, que gere o património de Hergé, e a editora Casterman, que tem os direitos dos álbuns até 2011, esperam vender mais títulos nos EUA onde a BD franco- -belga nunca se impôs, e também seduzir uma nova geração de leitores.


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